THOUSANDS OF FREE BLOGGER TEMPLATES »

Feelings (ou algo do género)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ruinas




Acabou o tempo dos sonhos e das promessas.
Começa a lenta descida para o Inferno – das palavras
dos gestos e silêncios que ferem como punhais.
E das noites sem fim…

Há uma fronteira que não devíamos poder ultrapassar
Uma barreira que devíamos erguer para nos poupar
a tanta dor e sofrimento…

Há sombras que me envolvem no silêncio desta casa
ecos nas salas desertas, memórias em cada espaço.
Um espelho que reflecte imagens de um outro tempo -
melhor, mais feliz … e uma música que envolve tudo,
uma luz difusa – ténue, que parece querer abraçar a casa
e apagar a dor que me acompanha…

se fosse possível – se houvesse como voltar atrás
e apagar as palavras que trocamos
as lágrimas que fizemos correr…
E recomeçar de novo – à sombra desta casa
parada no tempo…




Para ...

«Só o amor constrói», era uma das tuas frases preferidas. Outra era: «já ninguém morre por amor» ou «já não há românticos».
Dizias que o amor, «o amor verdadeiro raramente aparece, poucos são aqueles que tem a sorte de o encontrar uma vez na vida», e tu procuraste o teu. Vezes sem conta, em braços e corpos tão diferentes, e nunca paraste para olhar para mim, que estava ao teu lado, todos os dias, sempre que precisaste.

Uma vez, há já algum tempo, um amigo comum tinha acabado uma longa relação e dizia odiar a antiga companheira e tu disseste-me uma coisa de que eu nunca me esqueci.
«As pessoas confundem tudo. O ódio não é o contrário do amor, é apenas outra forma de amor. Diferente, dolorosa, distorcida e venenosa mas uma forma de amor. Se odeias é porque ainda tens sentimentos em relação a essa pessoa. Por norma quem odeia, na verdade o que sente é um amor não correspondido ou que por um qualquer motivo se recusa aceitar estar a sentir.
O contrário do amor é, e eu sei por experiencia própria, a indiferença. Sentir algo por alguém que nos ignora… que não sabe nem quer saber da nossa existência…
Acredita em mim, isso é o contrário do amor»

Agora falas de como não encontraste o verdadeiro amor, de como jogaste e perdeste. Agora que os dias estão a acabar. Que o corpo cansado se recusa a avançar. Há mais do que tristeza na tua voz. Mais do que uma fúria incontida. E eu não consigo identificar isso…

Ganhei coragem para te perguntar porquê? Porque é que nestes anos todos nunca me deste uma hipótese? E tu sorriste. Sorriste simplesmente e disseste: «eras o meu melhor amigo. Ainda és. Não te quis perder. Se houve uma coisa que aprendi às minhas custas foi que todas as relações têm um prazo de validade e quando acabam não fica nada, só ruínas… por isso quando amas não te podes entregar por inteiro, nunca. Ou depois é impossível reergueres-te…e tu sempre foste importante para mim, o companheiro, o amigo, e eu não te queria perder e não me podia entregar por inteiro, nem a ti nem a ninguém. Por medo, pelo que fosse…

Amanhã ou depois o tempo vai acabar para ti. Todos o sabemos… tu melhor que ninguém.
E quando tiver acabado vou ficar aqui, sem ti. Destruído por um amor que nunca quiseste aceitar. E já consigo sentir o meu mundo a desabar, a ruir…

«Só o amor constrói», era a tua frase preferida.
Só o amor constrói, e destruíste-te em busca desse amor que nunca alcançaste. E destruíste quem te amou nesse percurso…

Só o amor constrói? Talvez sim mas, por vezes, destrói mais do que se pode suspeitar…

terça-feira, 15 de setembro de 2009

-

Segredos por desvendar - a fria luz da lua
um som de passos nas ruas desertas
e o vento que varre a cidade - lá fora...

Aqui é diferente - no silêncio deste quarto
onde dormes esquecida do mundo
embalada em sonhos por uma música distante...

Escrevo no teu corpo um poema perfeito -
- um poema de amor - escrito a letras de fogo
o mesmo fogo que me devora por dentro
e me mantém acordado
Perco-me na contemplação do teu rosto -
suave, adormecido - perfeito
um sorriso desenhado nos lábios
o cabelo em desalinho sobre a almofada...

E a madrugada que se anuncia já - lá fora
e o adeus que se aproxima...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Entre nós ergue-se agora uma cidade
e um muro de silêncios - das palavras que calamos
de venenos e de mágoa - uma história inacabada
Uma janela fechada sobre a cidade adormecida
e as suas luzes que ferem a noite como um punhal
Se fosse possível - se ficasses parada onde estás
talvez ainda te alcançasse...
Um riso ecoa na noite - mistura-se com a música,
com as luzes e os passos que ecoam nas ruas
Entre nós já nada resta
uma dor profunda que nos consome - lentamente
Se fosses capaz - se me estendesses a mão
talvez ainda te alcançasse
e escrevia então o meu poema - perfeito
nas suaves linhas do teu corpo
escrevia o teu riso - o brilho do teu olhar
o som da tua voz quando cantavas...
Se fosse possível - se ainda cantasses
talvez ainda te alcançasse

Mesmo para lá do túmulo frio em que repousas

sábado, 4 de julho de 2009

sem titulo

Cidade de pó… ruínas… sonhos defeitos…
Um lugar maldito… cidade de pesadelos e de escravos
De corrupção e pecado
Cidade de mortos que caminham pelas ruas
Esquecidos num tempo que passou
Numa cidade estranha
Sem lugar para deus ou anjos
Ruas desertas… silencio… trevas…
Que deus ou anjo estranho
Sonhou este lugar?

VERMELHO

Um rastro de fogo e sangue
Como uma estrada ou um rio
Uma névoa que desce com o entardecer
E envolve o mundo em redor
E o silêncio…

Uma luz que rasga as trevas
Uma estrela caindo em chamas
Ou outro anjo caído em desgraça

Tudo em redor, o mundo que te rodeia
Não é mais que uma construção de palavras
Frases ditas ao acaso no espaço
Uns dizem-nas divinas ou sagradas
Outros chamam-nas acaso ou sonho de loucos.
Mas há medo nas palavras do mundo
Sonhos e promessas e fracassos e morte

E um rastro que se perde no tempo
Vermelho – sangue e fogo
E a certeza do fim que se aproxima…

AMOR

Uma luz breve e difusa
Uma voz que chama de longe
Um cântico celestial

Um sonho acordado
Ou uma doce ilusão

Uma promessa de paz
Felicidade eterna
Um mundo novo a descobrir