«Só o amor constrói», era uma das tuas frases preferidas. Outra era: «já ninguém morre por amor» ou «já não há românticos».
Dizias que o amor, «o amor verdadeiro raramente aparece, poucos são aqueles que tem a sorte de o encontrar uma vez na vida», e tu procuraste o teu. Vezes sem conta, em braços e corpos tão diferentes, e nunca paraste para olhar para mim, que estava ao teu lado, todos os dias, sempre que precisaste.
Uma vez, há já algum tempo, um amigo comum tinha acabado uma longa relação e dizia odiar a antiga companheira e tu disseste-me uma coisa de que eu nunca me esqueci.
«As pessoas confundem tudo. O ódio não é o contrário do amor, é apenas outra forma de amor. Diferente, dolorosa, distorcida e venenosa mas uma forma de amor. Se odeias é porque ainda tens sentimentos em relação a essa pessoa. Por norma quem odeia, na verdade o que sente é um amor não correspondido ou que por um qualquer motivo se recusa aceitar estar a sentir.
O contrário do amor é, e eu sei por experiencia própria, a indiferença. Sentir algo por alguém que nos ignora… que não sabe nem quer saber da nossa existência…
Acredita em mim, isso é o contrário do amor»
Agora falas de como não encontraste o verdadeiro amor, de como jogaste e perdeste. Agora que os dias estão a acabar. Que o corpo cansado se recusa a avançar. Há mais do que tristeza na tua voz. Mais do que uma fúria incontida. E eu não consigo identificar isso…
Ganhei coragem para te perguntar porquê? Porque é que nestes anos todos nunca me deste uma hipótese? E tu sorriste. Sorriste simplesmente e disseste: «eras o meu melhor amigo. Ainda és. Não te quis perder. Se houve uma coisa que aprendi às minhas custas foi que todas as relações têm um prazo de validade e quando acabam não fica nada, só ruínas… por isso quando amas não te podes entregar por inteiro, nunca. Ou depois é impossível reergueres-te…e tu sempre foste importante para mim, o companheiro, o amigo, e eu não te queria perder e não me podia entregar por inteiro, nem a ti nem a ninguém. Por medo, pelo que fosse…
Amanhã ou depois o tempo vai acabar para ti. Todos o sabemos… tu melhor que ninguém.
E quando tiver acabado vou ficar aqui, sem ti. Destruído por um amor que nunca quiseste aceitar. E já consigo sentir o meu mundo a desabar, a ruir…
«Só o amor constrói», era a tua frase preferida.
Só o amor constrói, e destruíste-te em busca desse amor que nunca alcançaste. E destruíste quem te amou nesse percurso…
Só o amor constrói? Talvez sim mas, por vezes, destrói mais do que se pode suspeitar…
Feelings (ou algo do género)
Mostrar mensagens com a etiqueta prosa curta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta prosa curta. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Para ...
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 05:41 3 comentários
Etiquetas: prosa curta
sábado, 3 de maio de 2008
DIZIAS
Dizias:
"As estrelas são as almas dos mortos que velam do céu aqueles que amam."
Havia um homem ferido que amava as estrelas. Amava uma estrela mas vivia triste, amargurado. Não sabia qual a estrela que brilhava no céu devia amar. Morreu de noite ao relento, os olhos fixos no firmamento enquanto o corpo se cobria de orvalho.
Contavas histórias assim. Repletas da mesma tristeza e da mesma beleza que enchiam o teu olhar.
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 03:30 0 comentários
Etiquetas: prosa curta
Subscrever:
Comentários (Atom)
