Um rastro de fogo e sangue
Como uma estrada ou um rio
Uma névoa que desce com o entardecer
E envolve o mundo em redor
E o silêncio…
Uma luz que rasga as trevas
Uma estrela caindo em chamas
Ou outro anjo caído em desgraça
Tudo em redor, o mundo que te rodeia
Não é mais que uma construção de palavras
Frases ditas ao acaso no espaço
Uns dizem-nas divinas ou sagradas
Outros chamam-nas acaso ou sonho de loucos.
Mas há medo nas palavras do mundo
Sonhos e promessas e fracassos e morte
E um rastro que se perde no tempo
Vermelho – sangue e fogo
E a certeza do fim que se aproxima…
Feelings (ou algo do género)
sábado, 4 de julho de 2009
VERMELHO
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Etiquetas: POEMA
AMOR
Uma luz breve e difusa
Uma voz que chama de longe
Um cântico celestial
Um sonho acordado
Ou uma doce ilusão
Uma promessa de paz
Felicidade eterna
Um mundo novo a descobrir
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 00:43 0 comentários
Etiquetas: POEMA
quarta-feira, 13 de maio de 2009
um gesto leve

o olhar perdido no vazio das horas que passaram
um sorriso breve – quase parado
um suspiro profundo e uma lágrima
o teu corpo – como um anjo caído
deitada no meu leito – esquecida das horas
entregue apenas ao encanto do momento
os lençóis sujos – suados
a luz da madrugada quase imperceptível
o luar que se apaga na janela aberta
uma palavra murmurada
uma última estrela brilhando no horizonte
um ruído na rua – um carro distante
levantas-te
partes

Publicada por Mr. Nonsense à(s) 10:35 0 comentários
Etiquetas: POEMA
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Dispersos e incompletos
(I)
Não voltes atrás
porque sabes que já não há regresso possível.
Acabou o tempo dos sonhos.
As ilusões esfumaram-se no ar
como os cigarros que pareces devorar...
É de noite que a dor se torna mais terrível.
Que o medo, os pesadelos e a solidão te assaltam.
Não desesperes - a madrugada há-de chegar
e a sua luz clara afastará os medos...
Até à próxima noite...
(II)
Uma luz difusa atravessa a janela.
Uma luz que ilumina o quarto -
a mesa onde se amontoam livros e papeis -
e a cama onde dormes.
O teu cabelo brilha com a luz de mil chamas
ou como um sol uma estrela um incêndio...
(III)
Sentes na alma o peso da solidão
a sombra que te apaga o sorriso
a febre que não te deixa dormir...
Em tempos foste fonte de riso e de alegria
um rosto amigo, um recanto
um porto de abrigo contra a crueldade do mundo
que pensávamos nunca te iria tocar.
Mas tocou...
Tocou-te e marcou-te
deixou-te na alma um vazio impossível de preencher
apagou os risos e a alegria
a luz no teu olhar...
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio - Lord Byron
George Gordon Byron, 6º Barão Byron (22/02/1788 - 19/04/1824) mais conhecido como Lorde Byron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo.

Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio
Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.
Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.
Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?
Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que te abraça,
E festeje com o morto e a própria rima tente.
E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência - curto dia -
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

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quarta-feira, 25 de março de 2009
(sem titulo)
Talvez seja a saudade o que ainda me prende aqui
Apesar da dor – apesar do peso dos silêncios
Nem a noite já me traz conforto
- nem um sono sem sonhos me embala
As ruas enchem-se de sons e de luzes, de vícios e medos
Houve um tempo em que encontrava abrigo nestas ruas
- em que a noite me abraçava
Até os anjos que caminhavam na noite partiram
As estrelas e a lua apagaram-se no céu
E uma neblina fria cobre a cidade
Talvez seja a saudade o que me prende aqui
Agora que tudo o mais desapareceu
Ou talvez a esperança de ver regressar na noite
Todos aqueles que já partiram
Voam rostos quase esquecidos ao alcance da mão
Nomes e corpos confundem-se nos labirintos das ruas
- na memória de outros dias
Um dia também eu partirei
Cruzarei esse mar em busca de outro porto
- em busca daqueles que partiram e não voltam
Um dia
Mas não hoje
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de volta aos poemas
De volta aos meus poemas.
Afinal até foi para isso que comecei este blogue.
Deito um olhar à paisagem desolada
e tento lembrar como era antes –
antes de tudo mudar – antes de me perder
Tento lembrar o rio de águas puras que corria aqui
- cantando, brilhante e veloz - livre
por entre as árvores que secaram e morreram
O mar, que unia as margens desta praia
com as dessa ilha distante
onde os amantes se escondiam
Ruíram as catedrais que se erguiam na noite
Calaram-se os carrilhões de mil sinos
que celebravam o amor
Os portos de onde zarpavam navios carregados de sonhos
estão agora abandonados –
entregues ao tempo e ao pó
O próprio mar secou
E os amantes partiram…
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 07:35 0 comentários
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