Uma pequena homenagem a um dos maiores poetas da língua portuguesa: José Carlos Ary dos Santos, e aproveitando a boleia uma homenagem a uma das melhores vozes da música portuguesa: Carlos do Carmo.
ESTRELA DA TARDE
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
Feelings (ou algo do género)
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Estrela da tarde
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domingo, 16 de novembro de 2008
A strange kind of love PETER MURPHY
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 10:48 0 comentários
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sábado, 15 de novembro de 2008
"The Usual Suspects - Os Suspeitos do Costume" Bryan Singer (1995)
"Os Suspeitos do Costume" é um filme realizado por Bryan Singer em 1995 e conta no elenco com Kevin Spacey, Gabriel Byrne, Benicio del Toro, Kevin Pollack, Stephen Baldwin entre outros e é acima de tudo um dos melhores filmes alguma vez feitos.
Conta a história de um grupo de criminosos que se juntam para fazer um pequeno trabalho e depois outro até serem contactados pelo homem responsável pela sua reunião. A história é contada por Verbal Kint (Kevin Spacey) - o único sobrevivente do último trabalho do grupo - durante um interrogatório da policia.
Não vou estragar o filme, não vou contar a história e o final. Mas garanto-vos nesta história, nada é o que parece, ou o que querem que pareça.
E da primeira à ultima cena não convém despregar os olhos do ecran. Podem perder algo importante.
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 04:56 0 comentários
Etiquetas: Benicio del Toro, Bryan Singer, Gabriel Byrne, Kevin Spacey, os suspeitos do costume, the usual suspects
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
REQUIEM POR UM AMIGO PERDIDO
A morte vestiu o seu manto de veludo
e saiu à rua em busca de novas vítimas
A morte viu em ti talvez o mesmo que nós
escolheu-te e levou-te - para sempre
para junto desse Deus em que acreditavas
ou para o nada - o vazio - o esquecimento.
Para trás ficou uma vida apenas começada
os amigos o amor e todo um futuro de sonhos
que nunca vais poder cumprir - uma rosa negra -
um túmulo - e o silêncio de um mundo
onde tu já não estás....
Desculpem mas ainda custa um bocado!!!!
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Etiquetas: POEMA
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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sábado, 8 de novembro de 2008
Mário Neto Fernandes (11/02/1975 - 05/11/2008)
A morte quando chega não escolhe idades...
A morte quando chega toca-nos a todos de uma forma diferente. Por vezes faz-se anunciar sob a forma de uma qualquer doença. Mas por vezes chega de repente,sem se fazer anunciar. Foi o que aconteceu contigo.
A última vez que estivemos juntos foi já há uns meses, antes de casares e voltares para Angola. A última vez que falamos foi há menos de uma semana quando me telefonaste a dar a noticia: "Vou ser pai" disseste com orgulho.
E agora sou acordado de madrugada com um telefonema da tua mulher a dizer que tiveste um acidente, que morreste num estúpido acidente de carro.
E tudo em que penso é que nunca nos despedimos. E penso na tua mulher que deixou tudo para trás para ir contigo para Angola. E penso nesse filho que nunca vais conhecer... que nunca te vai conhecer.
E em todos nós que estamos aqui, vivos, a chorar por ti. Pela tua ausência que pesa como chumbo, que tem o peso do mundo. E lembro as tardes e as noites em que nos sentávamos a volta de uma mesa e tudo o que fazíamos era falar. De tudo e de nada.
As discussões sem fim. Livros. Politica. Simples ideias e ideais... Religião. Eras o único que acreditava em Deus. Num Deus e hoje dou por mim a desejar que tivesses razão, que todos nós estivéssemos errados. Assim talvez nos tornemos a ver... se nós os hereges, os infiéis, não formos todos parar e passar a eternidade a arder nas chamas do Inferno.
Nunca me despedi de ti. Não como devia...
Adeus então. Até nunca ou até ao dia em que nos encontrarmos de novo para uma eternidade de conversas e discussões.
Adeus
Publicada por Mr. Nonsense à(s) 14:28 2 comentários

